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sábado, 30 de julho de 2011

Retrospectiva

A mãe que trabalha.

Sabe filho, na última semana passei por uma entrevista de trabalho e a recrutadora me fez a seguinte pergunta:
- Como foi para você deixar seu filho para ir trabalhar?
Após a entrevista, esta pergunta ficou ecoando na minha cabeça e agora gostaria de colocar as idéias no lugar.
Bem, eu voltei a trabalhar quando você tinha cinco meses. Me preparei para voltar e uma semana antes, comecei a armazenar leite materno para sua alimentação. Pedi a sua avó, que mesmo que ela te desse mamadeira, que fosse exclusivamente com o meu leite.
Voltei a trabalhar e todo dia levava uma parafernália para o trabalho: bomba extratora de leite, potes esterilizados, luvas... enfim, todo dia, duas vezes por dia, retirava o leite que seria consumido no dia seguinte. Saía do trabalho como louca, chegava em casa e com todo prazer deste mundo, te pegava no colo e te amamentava. Me dediquei muito a este processo, até que percebi uma queda na produção do meu leite e começou a doer bastante para retirar com a bomba.
A cada dia, tinha menos leite, óbvio, por falta de estimulação com a sua sucção. Passava o dia inteiro para encher o seio e te amamentava a noite, quando em pouco tempo, você começou a ficar irritado, com muita fome e para rejeitar o meu seio foi um passo.
Fiquei muito triste.
Não via opção e iniciei a introduzir novos alimentos e o leite artificial.
Sofria mais com a falta da amamentação do que por estar 8 horas longe de você trabalhando. Entenda, a amamentação era importante pois queria que você tivesse o melhor alimento e tinha o objetivo de te amamentar o máximo de tempo possível. Ter que trabalhar não era uma opção, era um necessidade mas sendo bem honesta, uma necessidade que me fazia bem, me tornava útil e que contribuia com parcela significativa no orçamento da nossa casa.
Te deixava com sua avó, ligava três vezes por dia para saber de você e como você era um bebê, ainda não interagia tanto.
Quando você completou um ano, fiquei desempregada, período que durou apenas três meses e agora, que estou de volta ao mercado de trabalho, tudo mudou.
Agora você esta cada vez mais esperto. Já me chama, faz pirraça quando saio sem você, já não dorme se eu não chego em casa. Tudo me lembra você, suas graças, seu cheiro.
Monitoro a hora, querendo logo voltar, me culpo e sinto falta quando não consigo, eu mesma, cuidar de você.
Esta semana, ao te dar banho, me emocionei tão intensamente... Antes, te dava banho contigo no colo, agora, você quer ficar em pé, sozinho. Te vi tão criança... menos bebê, sabe?
Você já prefere ficar em pé no banho e eu não sabia desta evolução. Passou batido e sua avó não me contou!
O tempo esta passando tão rápido e tenho sempre a sensação que não estou acompanhando. Vejo roupas e roupas indo embora, sapatos ficando apertados, gostos aflorando, personalidade surgindo e eu, sempre sendo notificada de cada descoberta, cada novo aprendizado, sem ver, com meus olhos, em loco, o que esta acontecendo com você.
Não filho, eu não tenho opção. Não posso ficar em casa, jogar tudo pro alto e te criar eu mesma. 
Parabéns para quem pode. Parabéns para quem consegue.
A mamãe aqui, se equilibra como pode, sem abrir mão de fazer o melhor que lhe é possível.
Em cada tempo livre, penso nas atividades que podemos fazer untos ,nas brincadeiras , em como me inserir na sua vida e rotina.
Hoje posso dizer: sofro muito mais hoje do que quando você tinha cinco meses. 
Mais que a saudade, a culpa pela ausência, pela falta de opção, massacra a mãe que trabalha fora. 
É intensa a dor da mãe que luta por um futuro melhor pro seu filho, para que ele tenha mais do que luxo mas oportunidades e que não passe pelas mesmas dificuldades que ela.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Cama compartilhada, amores e dissabores

A maioria das mulheres antes de ser mãe tece uma grande variedade de teorias e é especialista em emitir opiniões a respeito da criação dos filhos alheios.
Assim sendo, não fugi a regra e hoje com um filhote de um ano e três meses, minha cara é atingida quase que diariamente pelos cuspes que lancei acima da minha cabeça.
Um deles, refere-se a tal cama compartilhada.
Sempre pensei, e na verdade tentei, que meu filho dormisse em seu berço desde a saída da maternidade. Acredito que um casal precisa de privacidade, conforto e que manter um filho na sua cama não seria um ato lá muito saudável.
Para colocar a façanha em prática, montamos o quarto do João Victor e no nosso quarto, colocamos um berço desmontável (estilo camping), que na minha idéia, funcionaria até o bebê completar um ano e daí, ele passaria a dormir em seu próprio quarto.
Tudo funcionou até o início das vacinas. O João Victor teve reação a vacina e teve febre muito alta, que não o deixou dormir a noite inteira. A única forma de conforto que ele aceitava era na nossa cama e... adivinhem, adivinhem??? Ele esta lá até hoje!
Confesso, por vezes adoro este contato. Sentir o cheirinho dele, estar com ele a um palmo de confortá-lo, sentir seu toque e balbucios... isso de fato, é maravilhoso.
Só que também tem o lado 'b' da história. Acordo diariamente exausta, com dores nas costas de tanto que fico torta na cama, tentando protegê-lo. As vezes ele se esparrama tanto,que quando acordo, ele esta dormindo inteiramente no meu travesseiro, com a cabeça encostada a minha e os pés da cabeça do papai,
Não quero teorizar a respeito mas sei que a cama compartilhada tem benefícios comprovados no desenvolvimento da criança e que um dia, e talvez seja em breve, o próprio João Victor vai querer dormir no quarto dele e vou sofrer com isso.
Vejo algumas mães com experiências bacanas na adaptação do filhote a própria cama... mas será que é o nosso momento? Saberei quando for?
Tou insegura, mas reconheço que preciso de uma boa noite de sono para ter disposição a longo do dia. Talvez o ideal seja começar a atentar agora que não estou trabalhando, pois ai terei disposição para as várias tentativas. Bem... como sou meio doida, vou pensar bastante neste final de semana e se eu decidir iniciar este projeto, começo na segunda, assim como a minha dieta.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Do real amor

Sabe, sempre tive uma queda pelos estudos acadêmicos e por dados estatísticos. Os temas que envolvem o estudo da sexualidade humana, maternidade, violência contra crianças e adolescentes e educação infantil sempre me chamaram atenção.
Na época da graduação, procurei um livro que estava esgotado na editora a anos e quando achei-o, devorei sem muitas delongas.
O livro chama-se  Um amor conquistado : Mito do amor materno, escrito pela brilhante Elisabeth Badinter. Este livro me trouxe embasamento teórico para minhas divagações a respeito do amor materno e os grandes véus que envolvem o tema.
Defendia as linhas teóricas do livro antes de ser mãe... e agora que sou.... caraca, não mudou nada!hahahaha
Pessoas queridas, acho a maior graça das mamães que pregam que após o parto, o amor se estabelece como condição sine qua non. Que o rebento sai das suas entranhas e vc, pluft, já ama enlouquecidamente!
Bem.... isso tudo é lindo, é bacana de você dizer... mas é tudo mentira. A mulher é impulsionada a estes sentimentos, pois eles são esperados e ditados pela cultura que nos impregna e as vezes  impõe que você haja ou sinta assim.
É como um papel a ser desempenhado e que, para você ganhar louvor e estrelinha no caderno, tem que agir daquele jeito.
O amor materno é cultural, não é natural, não é comum a todos.
A esta altura todos as xiitas devem procurar pedras para me atirar, mas defendo que o amor materno é algo construído.
No meu parto, quando a médica trouxe o João Victor para me apresentar, fiquei olhando pra ele com estranhamento. Me emocionei porque não há coisa mais linda do que 'dar a luz', no sentido mais amplo da expressão. Mas não amei naquele momento - pronto falei.

Aquele bebê e eu, coabitamos no mesmo espaço, dividimos sensações, nutrientes, atenção, mas éramos completos desconhecidos.
E não tenho medo de falar isso. Meu filho foi planejado, desejado, querido mesmo antes de chegar.
Eu amei nos dias que foram se passando. A cada novo sorriso, descoberta. Amei quando ele reconheceu minha voz, quando desejava o MEU COLO, quando demonstrava confiança em mim e hoje, um ano e dois meses depois, é meu parceiro, meu amiguinho, minha sombra.
O problema dos modelos estabelecidos culturalmente, é que eles não abrem possibilidades para aquele que é, ou deseja ser diferente, porque ele já é rotulado como errado, anormal ou aberração.
Acredito no desejo de defesa da cria, na proteção, na responsabilidade e doação que inicia junto com a 'vinda do leite', mas amor a primeira vista... bem, a realidade não é bem essa.

Pra finalizar, o clipe que me faz suspirar e pensar no meu filhote:
 

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Não há o que defina...

Nada define meu desespero ao ver meu filhote chorar.
Não há maior sentimento de impotência. Por mais que pesquise, que discuta com outras mães, não estou conseguindo administrar.
Toda vez que esta para romper um dentinho é assim. Uma mega assadura surge e João Victor sofre tanto...
As trocas de fraldas se tornam ainda mais frequentes, cuido de toda higienização, já tentei algodão molhado em água, dermodex tratamento, maizena... nada efetivamente melhora por muito tempo. Ensaia uma melhora até que outro cocô estraga tudo!
A pediatra receitou uma pomada chamada candicort, só posso usar duas vezes ao dia e é o que dá maior resultado.
Os eventos anteriores não foram tão graves como este. Ao sujar a fralda João Victor começa a ficar choroso, ao ver que vamos limpá-lo, surge um choro doído, lágrimas e uma expressão de desespero, sabe?
Meu bebê se agarra a mim como se eu fosse capaz de fazer parar esta dor, este incômodo... eu choro, porque além de amar, cuidar, amparar, posso tão pouco...
Nada define esta angústia, a sensação de peito dilacerado ao vê-lo chorar... peço que tudo passe logo, que os dentes  surjam e que isso vire logo uma lembrança remota.